A Armadilha da Reatividade


Em nossa atuação como gerentes, facilmente acabamos nos transformando em solucionadores de problemas.


A princípio, essa abordagem aparenta ser interessante. A empresa, departamento e/ou setor têm problemas; eu, como líder, tenho o dever de resolvê-los.


À medida que minha experiência cresce, cresce minha capacidade de resolver os problemas.


As pessoas acabam acostumando-se com isso. Quando um problema surge, elas automaticamente procuram o gerente. Ele, com grande conhecimento e experiência, resolve rapidamente.


Com o passar do tempo, nossa sala se transforma num entra e sai de pessoas buscando solução para problemas.


Como nem todos são resolvidos no ato, acabamos formando em nossa mesa uma pilha de problemas a serem resolvidos.


E acabamos medindo o sucesso de nosso dia de trabalho pelo número de problemas que retiramos da pilha.


Nesse momento, talvez ainda não tenhamos percebido, mas já nos tornamos, inconscientemente, gerentes reativos.


(Isso aconteceu comigo! E me custou muito sair dessa armadilha.)


Se essa prática se estende por todos os departamentos, se torna cultural, e acabamos por criar uma organização reativa.


Caímos na armadilha da reatividade.


Qual o mal disso?


O grande problema é que, na armadilha da reatividade, a organização perde a capacidade de planejar e antever o futuro. Torna-se refém dos fatos.


Em consequência, deixa de ser inovadora, criativa e perde competitividade.


Qual a solução para não cair nessa armadilha?


Normalmente caímos nessa armadilha como gestores, através de nossas atitudes mentais, que são muitas vezes inconscientes. São elas:


1 – Passamos a gostar de ser solucionadores de problemas

2 – Temos um constante senso de urgência

3 – Nos apegamos ao problema e esquecemos a solução definitiva


Vejamos nos detalhes cada um desses itens.


1 – Passamos a gostar de ser solucionadores de problemas


O ato de solucionar problemas é viciante. Ele nos traz uma ilusão de eficiência porque vemos o resultado imediato. E isso agrada a todos.


No final do dia, temos uma agradável sensação do dever cumprido


E, quanto mais eficientes nos tornamos no exercício dessa arte, mais presos a ela ficamos.


2 – Temos um constante senso de urgência


Nosso cérebro tende a dar mais prioridade para as urgências que para as coisas realmente importantes. E os problemas tendem a ser percebidos como urgentes.


3 – Nos apegamos ao problema e esquecemos das soluções


Normalmente um problema traz consequências. E o que realmente aparece para nós são as consequências.


Ao agirmos, acabamos por confundir as consequências com a verdadeira solução.


O perigo está em eliminarmos as consequências e esquecermos da solução definitiva, que é atuar nas causas e na origem do problema.


Por isso, ele fatalmente acabará por se repetir indefinidamente.


Como sair dessa armadilha?


Uma vez que estejamos prisioneiros desse modelo reativo de gerenciar, precisamos de um esforço muito grande para superar essa situação.


Devemos conscientizar toda a equipe a concentrar os esforços num processo de transformação.


A empresa precisa transformar a reatividade em proatividade como única forma de alcançar altos patamares de competitividade.


A seguir descrevo alguns pontos que podem ajudar nesse processo:


a) O primeiro ponto passa pela conscientização de toda a equipe em relação a essa realidade;


b) Estabeleça critérios para que a equipe possa aprender a resolver por si própria seus problemas;


c) Treine a equipe para focar nas soluções definitivas dos problemas, após atuarem nas causas;


d) Crie um sistema de gestão por indicadores e metas, de maneira que ações possam ser antecipadas, eliminando a ocorrência futura de problemas;


e) Mude sua atitude mental. Como gestor, seu papel principal é estimular a proatividade através do planejamento e ser um facilitador para que a equipe produza resultados esperados;


f) Estabeleça reuniões periódicas para revisão de resultados e definição de ações corretivas, de forma a antecipar-se aos problemas.


As sugestões acima certamente não resolverão tudo. No dia a dia, outras questões surgirão e demandarão a sua atuação como gestor.


Mas, seguindo esses passos, grande parte da carga de reatividade da organização diminuirá, sobrando cada vez mais tempo para atuação proativa e planejada.


Conclusão


Transformar a empresa em uma organização proativa é uma tarefa para a alta gestão. Não devemos esperar que essa transformação ocorra de baixo para cima.


A notícia boa é que, através de uma atuação consciente, transparente e colaborativa, o gestor poderá, segundo alguns critérios e muita persistência, promover essa importante transformação.


Ainda que no começo os resultados não sejam exuberantes, vale a pena insistir. Com o tempo, grandes mudanças ocorrerão.


Ao abordar esse tema nessa postagem, tivemos a intenção de, longe de pretender esgotar o assunto, abrir uma discussão saudável sobre esse importante tema que afeta principalmente as pequenas e médias empresas, apresentando algumas ideias que podem auxiliar os gestores a encaminhar soluções de acordo com as particularidades de sua organização.


Se esse for o seu caso, desejamos boa sorte em sua jornada!


Compartilhe seu caso através do nosso Fale Conosco!


Assine nossa newsletter e receba de primeira mão notificações de novas postagens.



Felipe José Dias


Assine nossa newsletter e receba de primeira mão notificações de novas postagens.

© 2020 por FJD Assessoria e Consultoria Ltda.