Muito temos ouvido e lido sobre a questão da zona de conforto. Digitei a expressão no Google nesse exato momento. O número de resultados é 7.540.000 (o Google sempre arredonda os números).


Então seria muita ousadia elaborar um artigo sobre um tema já tão desgastado, não é verdade?


Fico imaginando a motivação do leitor para iniciar um texto com essa expressão no título. Que novidade poderia esse texto trazer que já não esteja massacrado em todos os veículos de divulgação? Pois, além do Google, há os livros, as palestras, as mídias sociais. Todos com seus milhares de conteúdos dedicados a esse tema.

E cada um deles apresentando a manjada definição e como evitar cair e, se estiver, como sair e blá, blá, blá, blá...


Então, caro leitor, relaxe, porque não é esse meu objetivo aqui.


O que pretendo nesse artigo é apresentar uma visão diferente a respeito da zona de conforto, que, de certa forma, contraria todo esse material. Alguns dirão que é ousadia. Até pode ser, mas não posso deixar de expor uma reflexão que tem me incomodado há um bom tempo.


Um dos temas da gestão humana que me chamavam a atenção já no início da minha carreira de gestor é a questão dos pontos fortes e pontos fracos. Sempre tive muito interesse por essa questão pelo simples fato de que eu sempre gostei da área do desenvolvimento pessoal.


Há mais de 30 anos, já me interessava de forma especial pela ideia de identificar meus pontos fracos e, então, trabalhar incansavelmente para neutralizá-los. E posso assegurar que, com muito esforço, obtive bons resultados.


Mas um dia conheci um livro que mudou completamente minha visão a respeito desse tema. O Livro Descubra Seus Pontos Fortes (M. Buckingham e Donald O. Clifton) me apresentou uma visão completamente distinta do que eu havia conhecido e estudado até então, em termos de desenvolvimento pessoal e profissional.


Nesse livro, descobri por que eu necessitava fazer tanto esforço para neutralizar meus pontos fracos e por que isso é um foco errado. A ênfase exagerada nos pontos fracos nos drena a energia e nos distrai a atenção daquilo que deveria ser nosso foco principal. O desenvolvimento de nossos pontos fortes.


O livro é profundo e extenso, mas altamente recomendável para lideres e profissionais em desenvolvimento de carreira. Não me deterei em maiores análises sobre sua extensão e profundidade, mas, a partir dessa leitura, percebi que deveria mudar minha abordagem de desenvolvimento pessoal.


No lugar de atuar na neutralização de meus pontos fracos, eu deveria me concentrar na melhoria de meus pontos fortes. A partir daí, meu desempenho melhorou significativamente bem como a velocidade dos resultados alcançados.


Mas o que tem a ver tudo isso com a zona de conforto? A resposta é que, na minha, visão as pessoas que se encontram nessa dita zona estão numa situação nada confortável.


Analisando minha própria situação no passado, quando me encontrei assim foram os momentos mais desconfortáveis da minha carreira. Eu me encontrava insatisfeito, sem uma perspectiva clara de futuro e sem motivação.


Essa situação provocava reações emocionais extremamente negativas, pessimistas e depressivas, o que influenciava negativamente meus relacionamentos e minha vida pessoal. O que poderia ter de confortável nisso? Nada.


As causas de minha estagnação nesses casos residiam em chefes autoritários que limitavam a minha participação e crescimento profissional, atividades excessivamente operacionais e pouco desafiadoras, ausência de uma visão clara de propósito e horizonte.


Dado o contexto acima, o que me limitava agir, romper com essa situação e buscar uma nova oportunidade (devo confessar que na maioria das vezes fiz isso) imediatamente?


Questão é muito simples. Eu hesitava tomar uma atitude de ruptura porque não queria abrir mão da segurança de meu bom salário e benefícios.


A resposta acima traz o ponto chave de minha argumentação. Para a indústria da administração e da autoajuda eu me encontrava na famosa zona de conforto.


Mas, na realidade, eu me encontrava numa zona de segurança. Extremamente desconfortável, porém justificada em função de objetivos e compromissos materiais e financeiros que bloqueavam uma atitude mais positiva em direção a uma solução definitiva do problema.


Anos mais tarde, com os estudos e reflexões que relatei no inicio desse texto, acabei percebendo essa sutil diferença. E pude comprovar com minha experiência prática de gestão que a maioria das pessoas que se encontravam com suas carreiras estagnadas vivenciavam essa mesma realidade.




Então, na minha concepção, o que costuma se chamar de zona de conforto, na verdade deveria ser chamado de zona de segurança.


E o que seria a verdadeira zona de conforto?


Eis aqui a grande surpresa. A zona de conforto é a zona que devemos buscar constantemente, porque é onde atuamos com nossos pontos fortes, a zona que agrega energia, criatividade e motivação. Ao atuarmos nessa zona, nossos resultados melhorarão significativamente e isso se estenderá aos nossos relacionamentos e nossa vida pessoal.


Portanto, ao contrário do que prega a indústria do desenvolvimento pessoal e carreira, devemos sair da zona de segurança e buscar incansavelmente a zona de conforto, seja na empresa, ou na organização em que atuamos, ou em outro local que viabilize essa possibilidade.


Pense nisso!


E muito sucesso!


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